Citações:

Sem o direito natural não há Estado de direito. Pois a submissão do Estado à ordem jurídica, com a garantia dos direitos humanos, só é verdadeiramente eficaz reconhecendo-se um critério objetivo de justiça, que transcende o direito positivo e do qual este depende. Ou a razão do direito e da justiça reside num princípio superior à votante dos legisladores e decorrente da própria natureza, ou a ordem jurídica é simplesmente expressão da força social dominante
(José Pedro Galvão de Sousa, brasileiro, 1912-1992)

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Vértice Com Vórtice Dentro!

Nem mais a propósito esse Vértice com este Vórtice dos tempos, que inevitavelmente será de recomeço.
A leitura de um escritor não se completa, ou esgota, na leitura de uma ou duas das suas obras.
De todas podemos gostar de forma diferente, mas todas nos dão uma percepção da capacidade de criação e visão do mundo dos seus autores.
Saramago é sem dúvida um dos maiores escritores portugueses de sempre.
Podemos não gostar dele pela percepção que temos de si como pessoa, ou da sua tomada de posição na cidadania, concordante ou não com o nosso posicionamento e o nosso lugar na matriz de valores actual.
Como pessoa não gosto das histórias ficcionadas (ou não) de algumas das suas posições na época do grande saneamento; mas já passou demasiada água pelas pontes para perceber que reserva não significa necessariamente antipatia e o seu antónimo é uma característica que privilegio. Afinal, ser-se agradável com o nosso semelhante é uma condição de inteligência… e não custa nada!   
Como romântico gosto do seu olhar com o aparente grande amor da sua vida.
Como escritor que é o que verdadeiramente interessa, gosto da sua inteligência posta ao serviço da sua obra, do seu rigor e trabalho de formiguinha que bem se percebe nos seus romances, bem como da sua cultura e da experiência de vida que denota.
A leitura calma e ponderada da sua obra permite-nos perceber como constrói e tece as suas tramas. Uma construção cuidada, recheada de conteúdo, recheada de reflexão, recheada de um olhar minucioso, como se rodando cada palavra e cada frase com olhar de artífice olhando-a cuidadosamente com esse olhar de artesão de vários ângulos.
Tendo lido apenas uma dezena das suas obras, nunca tinha lido o seu «Evangelho segundo Jesus Cristo». Não é fácil, de facto, no nosso limitado tempo de vida ler toda a obra de cada um dos autores, mesmo dos nossos preferidos. Mas este «Evangelho...», a par com o «Memorial...» e o «Cerco de Lisboa», é para mim (que isto gostos, embora potencialmente comuns, são em primeiro lugar apenas só nossos...), uma das suas grandes obras.
E bastava este excerto:
«José, Maria e o burro tinham vindo a atravessar o deserto, pois o deserto não é aquilo que vulgarmente se pensa, deserto é tudo quanto esteja ausente dos homens...» (J.S., O Evangelho segundo...; pág. 79).
PAS

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