«Os
maços de apontamentos que tenho em cima da mesa, que hoje me fizeram perder tanto
tempo à procura dos meus óculos redondos submergidos em tanto papel, são muitos
e podiam perfazer quase trinta volumes. Falam de tudo e nada, mas acima de tudo
declaram, exprimem, homens e a sua história. Mas falam também de peixes, é
certo, em exortações que nos fazem temer estarmos cheios de escamas e espinhas,
há quem lhes chame alegorias, outros menos dispostos a ouvir chamam-lhes
sermões, sendo pouco condescendentes com o que chamam a interferência do homem
na palavra de Deus.
Pode
parecer estranho nestes tempos conturbados eu ter em minha posse esta enorme
quantidade de documentos numa língua para muitos dos meus concidadãos estranha,
mas não para mim, sem no entanto ter feito muito esforço para os ler e
compreender como se já tivesse sido em tempos a minha língua natal.
(© Pedro A. Sande) de Benjamin
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