Citações:

Sem o direito natural não há Estado de direito. Pois a submissão do Estado à ordem jurídica, com a garantia dos direitos humanos, só é verdadeiramente eficaz reconhecendo-se um critério objetivo de justiça, que transcende o direito positivo e do qual este depende. Ou a razão do direito e da justiça reside num princípio superior à votante dos legisladores e decorrente da própria natureza, ou a ordem jurídica é simplesmente expressão da força social dominante
(José Pedro Galvão de Sousa, brasileiro, 1912-1992)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Matteo NUNCA PERDERÁ O EMPREGO!

É curioso como vivemos no medo real, sombrio e execrável de perdermos o emprego, como se o emprego não fosse apenas o uso a que sujeitamos o nosso corpo e espírito (e quantas vezes nos sujeitamos a arrendar esse uso, separando o  estado físico da alma que mantemos - ou não - intocada).
Por perdermos o emprego perdemos quantas vezes a alma, como se a alma fosse coisa de somemos importância, como se não fossemos nela à busca de outros mundos onde a felicidade está postada à nossa espera.
E é por isso que não acredito na perda de Matteo: Matteo nunca perderá o emprego, porque o emprego literário não se perde, quando o seu uso está cometido à própria fruição.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Conversa entre Poemas

Vejo brilhar uma estrela que,
pelos vistos, já morreu – assim
a minha vida: luminosa e, porém,
assombrada pela escuridão. Sorte a

daqueles que só conhecem a morte
pelas mãos frias – toda a vida fiz luto
por corpos ainda sãos. A felicidade

faz-me, apesar de tudo, infeliz –
é sempre a ideia do fim que traz
a música certa para os meus versos.

[Maria Do Rosário Pedreira
in Poesia Reunida, Quetzal, 2012]


RSF:
Vês brilhar uma estrela que dizes
já morreu: Sorte a tua!
Porque eu quando olho
para o lugar que apontas

Vejo uma luz que me desperta
Pela imensidão de corpos
Que por ali passeiam.

A música que tu falas também a conheço
Mas essa feliz infelicidade porque te passeias
É no meu lugar um hino à união
Do meu corpo com a minha alma

E não é música mas sussurro
De um outro hino,
O hino à vida.

[PAS, 05Set. 2012]



segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Revisionismo Autoral das Ideias

Manuel trás no seu comentário um momento de grande reflexão: o revisionismo das ideias! 
Bordoar unicamente na primeira república é como dizer ao Relvas a todo o tempo: «Vai estudar, ò Relvas!», esquecendo os avanços desta 3ª república a precisar, no entanto, de muito renovado ar forçado.
Isto para não falar no ar condicionado, capaz de fazer um upgrade republicano para a quarta república: e não fossem as condutas estarem aparentemente contaminadas de salmonelas, muitas delas fruto dos maus hábitos de comodismo e imparticipação na vida colectiva de parcela significativa daquilo que se designa pelo Bom Povo Português.
Nesta perspectiva poder-se-ia sempre dizer: «vai descontaminar, ò Relvas!», mas estaríamos sempre sujeitos aos seus irmãos, primos, primos dos primos, familiares em todos os graus e restante família aparentada no uso de membros, faces e outros ornamentos e que abarca quase toda uma nacionalidade.
Há uma pequena separata da revista militar, do Luís Alves de Fraga, sob as razões económicas de beligerância, óptima para se iniciar a percepção da avaliação da 1ª República e para se perceber que a mesma só pode ser feita no quadro de um período conturbado como a Grande Guerra – 1ª GG, que já carreia muito lodaçal da monarquia constitucional, ou não fosse o futuro, o passado na contingência do presente.
Os autores trabalharem para os dois nichos das sensibilidades das ideias é sinal que os marketeers já decretaram para si, não o fim da história (que se confunde no seu apego ao materialismo das estórias), mas um não lugar nas ideias - onde não esteja gravado BCE, ECB, EZB, EKT, EKP.
Nada de muito diferente de quem gosta de submergir de submarino e beijar caras larocas, longe dos pomares e perto dos mercados!

O Retorno

Finalmente um eco de coisa boa com esta minha capacidade de me viciar em palavras coloridas. 
Fui-me aguentando às repetições, mas agora está bem que ecoa novidade pela serra:
«Olá, está gente?»
«Esteve, sim senhora! Esteve o Capote com a Holly da Tiffany's que andava enrolada aos Tordo(s), enquanto não chegava a época de caça de, O Bom Inverno.
Esteve o pobre do revisor da História revisitada do Cerco de Lisboa, indolente e desesperançado com os últimos dados da conta do orçamento, que se parece cada vez mais com uma burra a mijar para trás. E estiveram mais alguns que não merecem referência, tal o estado de vergonha que os impeliu para debaixo do capote do Truman e do safão jaqueta, de vitela alentejana, do José.»
De resto caí momentaneamente como numa armadilha, na página Um, Dois, Três, «escreva lá outra vez», mas rompia-a, e insiro-me já todo lampeiro a caminho da Um, Dois, Quatro, «estou outra vez de bom trato», mesmo que de quando em vez me estatele de rabo no olho da novela! 
Que ainda por cima tem ainda muitos rabos - de – palha, a precisarem de ser cuidadosamente limpos, com cuidados de bradar aos céus, como aos bebés!
«Mas o senhor quer mesmo o RSE, RSI ou o raio que o parta (RQP)? Com esse corpanzil todo e dez anos de semeadura e capa preta?!»
«Claro que sim, cara senhora, aos escravos dá-se brilho e novidade, mas o que eu mais desejo é o RSF que me vai fazendo passar os dias!»
«Claro que há muito já ando desinserido do cheiro de capa dos meus: Voltaire, Rousseau, Montesquieu, Diderot, Montaigne, Dulaurens, do Abade de Grécourt, do Marquês d’Argens, do Perrault, do La Fontaine, do Espinosa e do Morheim, bem guardadinhos que estão no meu baú, pós Goês, como os moscas?
É hora de libertá-los que agora há por aqui gente! Gente de carne e osso que é o melhor dos materiais!»