Citações:

Sem o direito natural não há Estado de direito. Pois a submissão do Estado à ordem jurídica, com a garantia dos direitos humanos, só é verdadeiramente eficaz reconhecendo-se um critério objetivo de justiça, que transcende o direito positivo e do qual este depende. Ou a razão do direito e da justiça reside num princípio superior à votante dos legisladores e decorrente da própria natureza, ou a ordem jurídica é simplesmente expressão da força social dominante
(José Pedro Galvão de Sousa, brasileiro, 1912-1992)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

NELAS SE CAMINHA NA NOITE, NELAS SE CAMINHA NO DIA

A poesia e prosa de Eugénio de Andrade é um regalo para a mente porque transporta a inocência dos verdadeiros deveres do Homem. A apreensão de que poucas coisas há de verdadeiramente necessárias; o desprezo pelo luxo que nas suas múltiplas formas é quase sempre uma degradação.
Dizia Eugénio de Andrade da chamada poesia difícil que essa é a opinião de leitor apressado ou preguiçoso ou, simplesmente, sem a preparação mínima que toda a criação exigente requer. Citando o seu Rosto Precário: "todos os meus versos são um apaixonado desejo de ver claro mesmo nos labirintos da própria noite."
Ambiguidade e zonas de sombra fazem parte da escrita, até do romance do princípio, meio e fim. Afinal, mais do que romancear a vida é preciso dar-lhe consistência; e, como diria Jano, das palavras, elas são bifrontes: nelas se caminha na noite, nelas se caminha no dia. Elas são o mais veemente testemunho de fidelidade do homem ao homem.
Não nos peçam, pois, palavras fáceis.

domingo, 9 de outubro de 2016

A LIBERDADE, ESSE AFRODISÍACO, ESSA ANTI-DETERMINAÇÃO DA VIDA

Desde que li Os caminhos da Liberdade de Jean Paul Sartre que deixei de acreditar na pura imprevisibilidade da vida.
O improvável não é um caminho que acontece por mero acaso, é um caminho que tomamos por vontade expressa ou impressa no nosso cérebro ou num coração regulado. O para-si, aposto ao em-si dos objectos que não possuem consciência, do existencialismo sartriano, diz que
«a consciência humana é um tipo diferente de ser, por possuir conhecimento a seu respeito e do mundo. É ele que faz as relações temporais e funcionais entre os seres "Em-si", e ao fazer isso, constrói um sentido para o mundo em que vive. O "Para-si" não tem uma essência definida. Ele não é resultado de uma ideia pré-existente. O existencialismo sartriano desconsidera a existência de um criador que tenha predeterminado a essência e os fins de cada pessoa. É preciso que o "Para-si" exista, e durante essa existência ele define, a cada momento o que é sua essência. Cada pessoa só tem como essência imutável, aquilo que já viveu. Posso saber que o que fui se definiu por algumas características ou qualidades, bem como pelos actos que já realizei, mas tenho a liberdade de mudar a minha vida desse momento em diante. Nada me compete manter essa essência, que só é conhecida retrospectivamente. Podemos afirmar que o nosso ser passado é um "Em-si", possui uma essência conhecida, mas essa essência não é predeterminada. Ela só existe no passado. Por isso se diz no existencialismo que "a existência precede e governa a essência". Por esta mesma razão cada Para-si tem a liberdade de fazer de si o que quiser.»
Nós somos o que fazemos baseados na nossa impressão de passado, seja por vontade expressa consciente cerebral, seja por uma impressão toldada do que chamamos emocional, mas pré-existente, que nos guia os sentidos. Andamos porque temos de andar, optamos porque temos de optar, divergimos ou convergimos em cada vereda ou trilho porque temos de optar.
Nada acontece por acaso. Nada está pré-determinado, senão inscrito.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

DESTE MAR SE FAZ AMAR

Em todos nós que procuramos a paz,
O amor magistral sem defeito,
Há um cansaço que pode reportar,
Resmonear, como ondas do mar em crescendo:


Se as vagas do mar não sustentam
Que nem todas as suas vagas nos servem;
Que o peso da sua (alterosa) contrariedade,
Se instala nos nossos porões,
Demasiadas, incómodas, vezes sem conta.

Que nem toda a liberdade do mar consciente,
Sagaz, que o mar se quer move inteligente,
Não provocador, teimoso ou agreste,
Em todos nós que procuramos a paz,
O amor magistral sem defeito,
É propícia a todo, ou, a qualquer marinheiro.

Se tu amas para além de ti, ò mar,
Para além do teu (natural) orgulho próprio,
Tens de cuidar, olhar, o navegador,
Não lhe provocando temor ou receio,
Elevando-te, com o que assim te chamarás mar,
Como fosses em ti mesmo, perfeito.

Tens de o balançar um pouco na (tua) imensidade,
Sem o fazer voltear, desequilibrar, enojar, enjoar,
Muito menos naufragar nos escolhos
Da tua impulsiva ansiedade, aspiração, impaciência,
Dessa simbiose só interessante a vós mesmos,
De combinação em comum, vida idílica, 
Partilhadamente perfeita,

Docemente navegada por entre os escolhos de ti, 
Ó doce e confiante mar,
Trazendo O Marinheiro a bom porto! 

(© Pedro A. Sande; 07/10/2016)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os Pensamentos de Benjamin

«Exalação que não era naquela altura muito fácil de detectar por relatividade da contemporaneidade, embora, vá-se lá saber porquê, mais agravados entre o presente marinheiro e os pingos do futuro da indigência e da ignorância entre os nossos compatriotas. A falta de ciência ou de saber que era o contrário do que aquele judeu desesperado evidenciava, lembrando-me a assertividade de uma afirmação de um homem do futuro… de seu nome Thomas Sowell: «Necessitamos de um grande conhecimento só para nos apercebermos da enormidade da nossa ignorância.»