Citações:

Sem o direito natural não há Estado de direito. Pois a submissão do Estado à ordem jurídica, com a garantia dos direitos humanos, só é verdadeiramente eficaz reconhecendo-se um critério objetivo de justiça, que transcende o direito positivo e do qual este depende. Ou a razão do direito e da justiça reside num princípio superior à votante dos legisladores e decorrente da própria natureza, ou a ordem jurídica é simplesmente expressão da força social dominante
(José Pedro Galvão de Sousa, brasileiro, 1912-1992)

domingo, 4 de maio de 2014

TODOS TEMOS MÃE

Se eu ainda tivesse mãe hoje estaria impedido de colocar aqui estas palavras, feliz dia da mãe, Mãe!, por que estaria agora a sair para lhe dar um enorme beijo... e um abraço ainda maior.
Mas por outro lado isto não é verdade, porque ainda tenho mãe. Todos temos ainda mãe.
E nem falo na mãe natureza, na mãe verdade, na mãe solidária, na mãe negra ou branca, em nenhuma dessas mães que se levanta agora, neste momento, para amamentar os seus filhos, os lavar, calçar ou vestir, os chamar à razão, os levar à escola, ao circo ou à catequese.
Não a consigo é ver, é certo, embora a sinta todos os dias a meu lado, como se a transportasse em cada passo que trilho desde que deixou de me amamentar, lavar, calçar ou vestir... Tudo isso, menos o chamar-me ainda à razão, seja por sinais, bocejos, pelo céu azul ou nublado do dia.

Feliz dia da mãe, Mãe.
Qualquer dia passo por aí, Mãe, para ir visitar-te à tua nova casa.
PAS

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A Despedida - Até Já! - de José Alemparte

Se há algo que me toca é a luta de um Homem pela sua própria existência. 
Não conhecia a escrita do Paulo Bandeira Vieira - por mais que queiramos vivemos sempre confinados a uma finitude incompleta. Mas fiz o meu trabalho de casa... e o agendamento possível. 
Antes da «A Despedida de José Alemparte» que tem o "som" de uma despedida para um lugar melhor, PBV deixou-nos «As estradinhas de Catete», editado pela Quidnovi em 2007, livro que tem o som dos ritmos Africanos de mais um expatriado, de um outro tempo, na sua própria terra. 
Poesia e Antologia fecham o círculo de mais outro Português que continuará a sua vida "alemparte" através dos testemunhos nos deixados em papel. 
Afinal, escrever vai bem "da lei da morte nos libertando."

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Amanhe Ser: Reaprender A Ser Feliz

9. AMANHE SER: REAPRENDER A SER FELIZ
16-06-2013

Olho ao longe
E mais que um a Noite ser
Vejo um amanhe Ser
Lindo e Brilhante
Pois também
Reaprendo
A ser feliz.

Não há pranto
Que não esmoreça
Nem tristeza no olhar
Que não se abata.

Há sempre um
Novo e brilhante
Raio de sol
Que nos solta o olhar.

Não mais o engano
Nem a tristeza
E a amargura
No olhar.

Apenas o dia

E esse Amanhe Ser
Que sucede
A um a Noite Ser
Que parecia
Fútil
Cinzento
E sem esperança.
© PAS (Tempos, As Novíssimas Sombras; 2014; Pedro A. Sande; pg. 17-18)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Gonçalo e Mia: Mas Mia, mia mais alto!

Artur: tem aqui um a seu favor. De facto os gostos são como as alergias. Comungo também consigo que uma focagem muito mecanicista, muito geométrica, muito fundada no isolacionismo da palavra, pode colocar aquele sabor amargo a papel de jornal, mau grado ser uma espécie de diário ou hebdomadário de referência.
O Gonçalo é sem dúvida um grande escritor, um escritor de características mais Nortenho do que Sulista, um académico, um filósofo, um exercitador de um mundo muito ligado a engrenagens, um mecanicista literário, onde o homem do Sul que vive na desordem e no caos se pode confundir. 
Um daqueles escritores que tanto exercita o génio, como comunga com o chato: mas todo o experimentalismo que tente esticar até à face escura da lua parece ser mesmo assim. É quase como confundir papel com moeda ou, obliterando uma ou duas das suas três funções, e, ou, não possuindo a percepção do mais significativo alicerce intelectual do interaccionismo simbólico, o insustentável pragmatismo tomado (tornado) no caos: uma espécie de criptografia Tomazziana .
Entretanto Raul, e fazendo um breve parêntese, enviei-lhe a horrível Obsessão… um pastel feito de Caos e Ironia, com algumas imperfeições que o benze Deus e uma certa ligeireza, esperemos não esquizóide e muito menos esquizofrénica. 
Temo pelo seu juízo crítico, uma grande prova a sua leitura, de uma obra leve, feita numa pincelada e fundada na observação, na incompletude e na ligeireza da ironia. 
Mas reitero que o senhor do senhor de Juarroz é notável, o que não significa que haja dias curvilíneos em que não haja pachorra para alguma rudeza da alma, como se a alma fosse uma linha recta. 
E vendo outros dias de génio em que a alma vai liberta no castelo da popa, como “aquela” extraordinária Viagem à Índia. Ademais, o senhor Tavares, é muito jovem, como se quer às actuais gestões de carreira e com enormes provas escritas: nem o senhor de Crato, o cruzadista contra as escolas de educação, se atreveria a colocar o seu génio à prova.
Com a aprendizagem do ajustamento ficaremos cada vez mais disciplinados e germanizados: e a obra de Tavares não terá em Portugal, em sequência, nos próximos cem anos, génio “à altura”.
E não é ironia, parece mesmo realidade, mesmo se para o meu gosto Couto Mia, mia mais alto!