Citações:

Sem o direito natural não há Estado de direito. Pois a submissão do Estado à ordem jurídica, com a garantia dos direitos humanos, só é verdadeiramente eficaz reconhecendo-se um critério objetivo de justiça, que transcende o direito positivo e do qual este depende. Ou a razão do direito e da justiça reside num princípio superior à votante dos legisladores e decorrente da própria natureza, ou a ordem jurídica é simplesmente expressão da força social dominante
(José Pedro Galvão de Sousa, brasileiro, 1912-1992)
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sábado, 29 de novembro de 2014

A PARANÓIA CONSTITUCIONAL DE PESSOA

A todos aqueles que acham que a escrita só é escrita quando não ofende os cânones, a liberdade da escrita deve resistir a todas as comparações e alcandorar-se ao seu lugar: escrevei pois então sem medo, o futuro vos julgará com o polegar colocado no seu devido lugar!
E deu-nos o lugar o JAM. Leiam sobre os torcidos de Pessoa : http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/12533.pdf

Diz JAM, José Adelino Maltez, sobre citação de Mário Saraiva: Sofre (Pessoa) de "esquizofrenia mista de hebefrénica e paranóica ... um definido psicopata, com fortes perturbações da razão e do discurso". O pior é a "graforreia ... necessidade permanente, imperiosa e irresistível de escrever...pesado quadro sintomatológico da sua esquizofrenia" (Mário Saraiva)

Vasco Graça Moura, que Deus o tenha, tinha esta coisa desagradável, de se irritar mais com as pessoas do que com a escrita: «Mais tarde, Graça Moura haveria de declarar numa entrevista: «Não sei se gostarei de dez por cento daquilo que [Pessoa] escreveu, embora eu seja muito marcado, na minha poesia, como quase todos nós. (...) O Pessoa irrita-me em grande parte (...) Mas, mais do que isso, irrita-me a liturgia, o exercício sacralizante em redor da sua figura. É irritante e injusto (...) há muitos nomes que têm sido prejudicados por essa corrida a Pessoa» O sentimento de injustiça tem esta coisa irritante de se tornar em sentimento de inveja...
© PAS

quinta-feira, 4 de abril de 2013

«O Acordo Ortográfico E Os Seus Trolhas» e a «Escrita No Coração Da Linguagem»

O novo (des) acordo ortográfico remete para mais rios de tinta que o sangue derramado pelos egípcios no egito. Não me pretendo envolver nestas guerras de "chinfrim e manjerico" (não manjerona!) Nem nas efígies, «esfinges de um Padre António Vieira» tisnado e alumiado pela fogueira da inquisição, que não pelo sol da galileia ou pela secura do monte sinai.
Tenho demasiado respeito por escritores como Vasco da Graça Moura, tolerância pelos erros de uns e outros - entre eles, aquelas figuras a necessitar de olhos penetrantes de águia, de grande acuidade, a que chamam de revisores - maleabilidade de espírito e uma liberdade a raiar a anarquia respeitosa. 
A peça o «Acordo ortográfico e os seus trolhas», escrito de António Guerreiro, chamou-me a atenção para uma frase que me apaixonou: «instalar a escrita no coração da linguagem e não no exterior dela». 
Frase admirável pela beleza e pela utilização que se pode fazer dela: é que tudo hoje parece estar suspenso do lugar onde se encontra o coração. 

Sintam-lhe o cheiro, por favor ... ao manjerico!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Poesia, Essa Desconhecida

Interessante a expressão de Vasco Graça Moura ao falar da escrita poética como «exercício técnico, uma aplicação de capacidades oficinais».
Como tenho para mim que todo o poeta é um escritor e todo o escritor um poeta mesmo que não o saiba (tudo o resto são ajuntadores e coleccionadores de palavras) essa capacidade oficinal, que VGM refere, só a concebo na oficina do corpo.
Onde os olhos são o fole dos retratos da vida, o coração o martelo pilão, os mecanismos as mãos, o óleo a seiva e o sangue que oleia o mecanismo mais fino operativo, o cérebro, esse responsável pelas tremendas ilusões do espírito sensível.
Exercício técnico, capacidades oficinais?

Sim, como ourives da minha própria oficina!