Citações:

Sem o direito natural não há Estado de direito. Pois a submissão do Estado à ordem jurídica, com a garantia dos direitos humanos, só é verdadeiramente eficaz reconhecendo-se um critério objetivo de justiça, que transcende o direito positivo e do qual este depende. Ou a razão do direito e da justiça reside num princípio superior à votante dos legisladores e decorrente da própria natureza, ou a ordem jurídica é simplesmente expressão da força social dominante
(José Pedro Galvão de Sousa, brasileiro, 1912-1992)
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O QUE LI RECENTEMENTE

A RAINHA GINGA de Eduardo Agualusa é um livro decente, onde se sente investigação numa história decente, recheado daquilo que me pareceu ser a sua maior virtude: a escrita escorreita e a nomenclatura Africana.
Não sendo um livro soberbo é, no entanto, um livro que revela uma escrita q.b. de um escritor certinho.  
 
O Estrangeiro de Camus é um livro sentido muito na linha do existencialismo Sartriano, mau grado Camus ter rejeitado essa classificação.
Um livro que pode definir-se nas últimas palavras do personagem Meursault, palavras de reconhecimento da indiferença do universo em relação à humanidade
Como se essa grande cólera tivesse lavado de mim o mal, esvaziado de esperança, diante dessa noite carregada de signos e estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Ao percebê-la tão parecida a mim mesmo, tão fraternal, enfim, eu senti que havia sido feliz e que eu era feliz mais uma vez. Para que tudo fosse consumado, para que eu me sentisse menos só, restava-me apenas desejar que houvesse muitos espectadores no dia de minha execução e que eles me recebessem com gritos de ódio.
©PAS

quarta-feira, 13 de março de 2013

A Realidade de Homero

Frase muito bela esta: «Homero criou uma realidade em vez de se limitar a espelhar a do seu tempo».
Também sou dos que penso que a escrita literária não tem necessariamente de ser interventiva, o que é diferente de o escritor ser alheio à realidade. O escritor, sim, deve ser interventivo à sua maneira, o que não significa que faça da sua obra um manifesto político, basta apenas demonstrar que está vivo!
A realidade é o que é, e a política por definição escolha, opção, algo que fazemos desde que nos levantamos até nos deitarmos - e talvez mesmo quando sonhamos ou temos pesadelos com o patrão.

Nem a propósito a minha última leitura de Antony Beevor e o seu «Paris após a libertação», onde escritores como Sartre, Camus, Hemingway e muitos outros assumem posições e intervenção política acentuada.
E nem por isso deixam de ser extraordinárias autores.
E nem por isso deixam de espelhar a realidade de forma não jornalística e ficcionada, como Sartre na sua extraordinária trilogia «Os caminhos da liberdade.»